Educação ambiental: tratar o lixo ou mudar de vida?
Laurentino L Filho - 03 fev 2016.
Ao se pensar em resíduos seja ele de que tipo for, a questão a ser resolver não deve ser planejada em como encontrar um tapete para jogá-los embaixo. Recentemente vimos os jornais noticiando as disputas entre Estados para não receber os lixos químicos (pó da china), formado por resíduo na produção de pesticidas por indústria química em Cubatão(1).
As diversas alternativas oferecidas na atualidade para o destino dos resíduos são constituídas para se resolver problemas pontuais, trazendo em nós a sensação de que o lixo é um mal necessário, ao qual estamos obrigados a aceitá-lo e, damos a preferência, para o poder público dar um jeito, o que acaba ocorrendo como mera obrigação de se agradar o freguês ao invés de uma responsabilidade de todos.
A grande quantidade de lixo produzida por nós está diretamente relacionada ao nosso modo de vida, que hoje se vê regida pelo modelo neoliberal cuja célula vital são as metas de vendas, sob o ciclo de que: vendendo mais, se produz mais, se produzindo mais se emprega mais, se empregando mais, se vende mais, consequentemente, a contínua produção em larga escala, somados ao consumo excessivo da população, esgotam o meio ambiente, que não consegue absorver todo o lixo produzido.
Por isso, o problema não poder ser considerado apenas em como resolver os resíduos produzidos, mas também, em como evitar a sua produção, pois, os efeitos nocivos do lixo se dão pelo modo de vida que a população está submetida, assemelhando-se ou mesmo, se constituindo de um comportamento predatório sob a ótica de que a natureza lhe pertence, e pensando assim, o homem acredita que pode se apropriar dela e transformá-la como lhe convém, pouco importando as demais espécies e futuras gerações, a exemplo das empresas de cosméticos que dilaceraram ilhas na Indonésia, matando a biodiversidade para produção de óleos(2).
Ao se falar em educação ambiental, esta não deve ser tratada como mera aula de ecologia, mas sim como um dos mais difíceis enigmas a ser desvendado cujo pressuposto é: como manter a vida humana sem extinguir as demais espécies e sem destruir o meio ambiente? Não é difícil de se concluir que: sem o meio ambiente e sem as demais espécies o homem também se extingue.
A grande dificuldade se dá em decorrência do modo de vida atual, em que as pessoas sob o lema da qualidade de vida e o direito de ser feliz, não abrem mão do conforto e da satisfação do seus desejos, que sob a célula dos recordes de produção e recordes de venda, é alimentada convenientemente pelos fornecedores através do estímulo da obsolescência programada e psicológica.
Esse modo de vida que se alimenta na apropriação do bem comum tratando-o como bem pessoal, desequilibra o ambiente, extinguindo expécies e degradando a biodiversidade, daí o ponto sensível desta equação: para ter a biodiversidade é preciso renunciar a alguns interesses pessoais e mudar seu comportamento como o de consumir estritamente o necessário, e pela parte dos fornecedores o de reduzir o patrimônio.
O grande dilema da humanidade como condição para a manutenção da vida das gerações futuras e demais espécie está em uma balança em que, de um lado se pesa a biodiversidade, do outro o lucro atrelado à propriedade, ao meu, ao ter. Nesse caminho, o que é possível perceber é que nas tendências ambientais, se prevalecendo o lucro, as chances de preservação da vida serão muito pequenas.
Mas, você tá disposto a renunciar ao lucro? Ao conforto? Ao consumo?
Talvez não precisemos renunciar, mas sim mudar nosso modo de vida, deixando de encarar a natureza como objeto de posse e passar a reconhecê-la como verdadeiro lucro, vislumbrando-a como celeiro da vida de todas as espécies, por isso, um bem comum de todos, não do Estado, nem da indústria, nem do particular.
Esse reconhecimento é capaz de gerar ações que permitem interagir com ela como genitora permanente da vida, isto é, não aquela que tem um período de gestação e parto, mas muito além disso, ela permite a gestação, o nascimento e continua a manter a vida a cada dia que você vive, como uma mãe que amamenta o filho do nascimento à velhice.
Temos a capacidade sofisticada de comunicação pelas mais diversas línguas e linguagens, humana e artificial, mas nosso relacionamento social com a natureza quase não tem interação porque em nosso dia a dia ela não passa de um recurso de sobrevida, quando na verdade deveríamos enxergar que ela nos dá a vida.
Por fim, as diversas formas de tratamento de lixo são soluções pontuais, que sem uma consciência da realidade social causadora dos desequilíbrios ambientais, não passa de uma atitude de se esconder o lixo debaixo do tapete.
Ao se pensar em resíduos seja ele de que tipo for, a questão a ser resolver não deve ser planejada em como encontrar um tapete para jogá-los embaixo. Recentemente vimos os jornais noticiando as disputas entre Estados para não receber os lixos químicos (pó da china), formado por resíduo na produção de pesticidas por indústria química em Cubatão(1).
As diversas alternativas oferecidas na atualidade para o destino dos resíduos são constituídas para se resolver problemas pontuais, trazendo em nós a sensação de que o lixo é um mal necessário, ao qual estamos obrigados a aceitá-lo e, damos a preferência, para o poder público dar um jeito, o que acaba ocorrendo como mera obrigação de se agradar o freguês ao invés de uma responsabilidade de todos.
A grande quantidade de lixo produzida por nós está diretamente relacionada ao nosso modo de vida, que hoje se vê regida pelo modelo neoliberal cuja célula vital são as metas de vendas, sob o ciclo de que: vendendo mais, se produz mais, se produzindo mais se emprega mais, se empregando mais, se vende mais, consequentemente, a contínua produção em larga escala, somados ao consumo excessivo da população, esgotam o meio ambiente, que não consegue absorver todo o lixo produzido.
Por isso, o problema não poder ser considerado apenas em como resolver os resíduos produzidos, mas também, em como evitar a sua produção, pois, os efeitos nocivos do lixo se dão pelo modo de vida que a população está submetida, assemelhando-se ou mesmo, se constituindo de um comportamento predatório sob a ótica de que a natureza lhe pertence, e pensando assim, o homem acredita que pode se apropriar dela e transformá-la como lhe convém, pouco importando as demais espécies e futuras gerações, a exemplo das empresas de cosméticos que dilaceraram ilhas na Indonésia, matando a biodiversidade para produção de óleos(2).
Ao se falar em educação ambiental, esta não deve ser tratada como mera aula de ecologia, mas sim como um dos mais difíceis enigmas a ser desvendado cujo pressuposto é: como manter a vida humana sem extinguir as demais espécies e sem destruir o meio ambiente? Não é difícil de se concluir que: sem o meio ambiente e sem as demais espécies o homem também se extingue.
A grande dificuldade se dá em decorrência do modo de vida atual, em que as pessoas sob o lema da qualidade de vida e o direito de ser feliz, não abrem mão do conforto e da satisfação do seus desejos, que sob a célula dos recordes de produção e recordes de venda, é alimentada convenientemente pelos fornecedores através do estímulo da obsolescência programada e psicológica.
Esse modo de vida que se alimenta na apropriação do bem comum tratando-o como bem pessoal, desequilibra o ambiente, extinguindo expécies e degradando a biodiversidade, daí o ponto sensível desta equação: para ter a biodiversidade é preciso renunciar a alguns interesses pessoais e mudar seu comportamento como o de consumir estritamente o necessário, e pela parte dos fornecedores o de reduzir o patrimônio.
O grande dilema da humanidade como condição para a manutenção da vida das gerações futuras e demais espécie está em uma balança em que, de um lado se pesa a biodiversidade, do outro o lucro atrelado à propriedade, ao meu, ao ter. Nesse caminho, o que é possível perceber é que nas tendências ambientais, se prevalecendo o lucro, as chances de preservação da vida serão muito pequenas.
Mas, você tá disposto a renunciar ao lucro? Ao conforto? Ao consumo?
Talvez não precisemos renunciar, mas sim mudar nosso modo de vida, deixando de encarar a natureza como objeto de posse e passar a reconhecê-la como verdadeiro lucro, vislumbrando-a como celeiro da vida de todas as espécies, por isso, um bem comum de todos, não do Estado, nem da indústria, nem do particular.
Esse reconhecimento é capaz de gerar ações que permitem interagir com ela como genitora permanente da vida, isto é, não aquela que tem um período de gestação e parto, mas muito além disso, ela permite a gestação, o nascimento e continua a manter a vida a cada dia que você vive, como uma mãe que amamenta o filho do nascimento à velhice.
Temos a capacidade sofisticada de comunicação pelas mais diversas línguas e linguagens, humana e artificial, mas nosso relacionamento social com a natureza quase não tem interação porque em nosso dia a dia ela não passa de um recurso de sobrevida, quando na verdade deveríamos enxergar que ela nos dá a vida.
Por fim, as diversas formas de tratamento de lixo são soluções pontuais, que sem uma consciência da realidade social causadora dos desequilíbrios ambientais, não passa de uma atitude de se esconder o lixo debaixo do tapete.
1. Disponível em
<http://www.hojeemdia.com.br/horizontes/transporte-de-carga-toxica-de-sp-para-sarzedo-motiva-apurac-o-do-mp-1.374924>.
Acesso em 03 fev 2016.
2. Disponível em
<https://www.youtube.com/watch?v=DH9o6-pa-pM>.
Acesso em 03 fev 2016.
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