A semiótica da era digital: epistemologia para uma nova comunicação
Laurentino
Lúcio Filho
Resumo:
Este trabalho vem abordar a
fenomenologia semiótica com o objetivo de trazer aos profundos
conceitos de Peirce sobre os fenômenos que estruturam a comunicação, uma linguagem mais próxima da era digital.
Palavra chave: semiótica,
fenomenologia, comunicação.
Abstract: This work
approaches semiotic phenomenology with the objective of bringing
Peirce's deep concepts about the phenomena that structure
communication, a language closer to the digital age.
Keywords: Semiotic, Phenomenology,
Communication
Este
ensaio faz uma abordagem ao conceito inicial da semiótica que é a
fenomenologia pois, ela cria a estrutura da comunicação, que para a
época digital, poderíamos equipará-la ao quanta de
Max Planck, ao se fazer
uma co-relação entre o átomo e a linguagem, pois, se Planck
dividiu o átomo, que até ali era considerado indivisível, e lá,
dentro dele, encontrou partículas com massa, Peirce dividiu com a
mesma intensidade, a linguagem e, dentro dela, igualmente aos átomos,
encontrou nanos elementos que estruturam a linguagem como objeto,
signo e interpretante.
Chamamos de nanos elementos porque se
compõe de uma percepção material contudo, composta por conceitos
abstratos, dentro da lógica abduzida ou interpretação única
física-metafísica, que Peirce chamou de Pragmaticismo, pois, o
conjunto formado por objeto, signo e interpretante, dá uma ideia
conceitual da altura, largura e profundidade, como se fosse um objeto
tridimensional material, equiparada à menor partícula do processo
de comunicação.
Essa
mesma representação conceitual foi utilizada por Max Planck para a
física quântica, em que a menor unidade de partícula, dimensionada
em largura, altura e profundidade, ele chamou de quanta, cujo
objeto é o espaço denominado nanômetro que é a bilionésima parte
do metro, o signo é o tempo, denominado pico-segundos,
que é a trilhonésima parte do segundo (PLANCK
apud MCEVOY e ZARATE,
2012), e o
interpretante será dado de acordo com a
propriedade do signo (SANTAELLA, 2002).
Convidamos
o leitor a prestar atenção
no detalhe paralelo desta comparação que
é o Pragmaticismo, pois, se
Peirce desenvolveu em um conceito abstrato, uma filosofia ou
metafísica semiótica, aplicou nela algo concreto, como um objeto
material da física, ao mesmo tempo que, Max Planck ao desenvolver a
quântica sobre algo palpável,
físico-químico, aplicou
nela algo abstrato, conceitual, como uma filosofia, para que pudesse
comunicar a estrutura da menor partícula material, é esta dinâmica
percepcional que
Peirce chamou de Pragmaticismo.
A
partir dessa primeira ideia, é possível entender a fenomenologia
como a menor partícula da comunicação, que no processo
comunicativo dará forma à interação, compondo-se por uma
primeiridade, pois, há um objeto material ou imaterial, cuja
estética o reveste com algo, por isso, esse revestimento é chamado
de secundidade, e essa secundidade guarda em si uma qualidade de
formar algo, ou, poderíamos dizer, uma qualidade de ação
(SANTAELLA, 2002), mas, ainda sem forma, assim, aplicamos a isso, o
sentido da palavra in-formação, pois, a qualidade ainda está
desforme.
No
entanto, a relação do objeto com o seu revestimento que lhe cria a
qualidade de ação, constitui um representámen,
que
dizer um signo, pois estrutura o processo da comunicação,
como por exemplo, para um signo com propriedade biológicas, na
hipótese da célula procariótica, cuja estrutura é a mais simples,
pois, estrutura a espécie animal unicelular, é composta pelo objeto
que é o citoplasma, que chamaríamos de primeiridade, que dentro
dele revestem os ácidos nucleicos (DNA) e os robonucleicos (ARN)
(BARBOSA e CÔRTE-REAL, s/d), que contém a informação ou,
qualidades da espécie animal, o que chamamos de representámen ou
signo, que por deter uma qualidade, é considerado como secundidade.
Essa
qualidade contida no objeto, isto é, a secundidade, oferecerá para
aqueles que são biólogos, propriedades de interação, sendo
que aqui, a interação é definida como uma relação
pré-comunicativa entre duas ou mais quantas, pois,
na interpretação
pragmaticista, é preciso considerar que o processo de comunicação,
assim como em qualquer
fenômeno físico-químico,
se dará dentro de uma dimensão tridimensional de
espaço-tempo-história.
Assim,
a estrutura do processo comunicativo deve ser percebida tendo
de um lado, a
quanta que contém a
in-formação, e do
outro,
a quanta
que é externa, em um
ambiente que possui uma
propriedade de relação com a primeira, nas relações sociais,
chamamos de interesses, na semiótica é
chamada
de interpretante, ou terceiridade, que
serve para agir como um propulsor para criar o movimento que
deslocará o signo entre o quanta
que o contém, e, o quanta
que tem interesse em o interpretar, funcionando a interação como
uma força cinética que provoca o movimento de ação-reação de
qualidades ou signos, para a
constituição da forma, ou estética comunicativa, que
é chamada na semiótica de fenomenologia.
No
caso da biologia este processo é visto no mesmo sentido: “A
idéia de interação célula-organismo-ambiente pressupõe a ação
modificadora constante de um nível em relação ao outro. O
organismo não é só modificado pelo meio, como também age sobre
esse e o transforma (MEGLHIORATTI,
CALDEIRA e BORTOLOZZI, 2006, p. 93).
Assim,
considerando o signo da célula procariótica, que é uma
secundidade, pois, tem a
qualidade de ação, cujo
interesse da biologia, ou
propriedade de ação do signo, que são
chamadas de interpretantes, ou terceiridades, vai
formar uma estrutura comunicativa capaz de gerar o conhecimento ou o
reconhecimento do objeto a partir de seus signos.
Assim,
essa composição, vem
evidenciar que as
propriedades de interação, isto é, as interpretantes, são
infinitas, pois, na relação
com a biologia, como no
exemplo acima, pode representar a interação com o conhecimento
e reconhecimento formando os conceitos
da biologia, mas, ela também,
poderá ser interpretante
para o próprio ser animal como um organismo vivo, para os predadores
desse animal, ou seja, para todo os fins interativos
que lhe são atribuídos na
dimensão deste universo, compondo-se de múltiplas propriedades,
pois, “dependendo do
fundamento, ou seja, da propriedade do signo que está sendo
considerada, será diferente a maneira como ele pode representar seu
objeto” (SANTAELLA, 2002, p. 14).
REFERÊNCIAS
BARBOSA,
Helene Santos. CÔRTE-REAL, Suzane. Biologia celular e
ultraestrutura. Disponível em
<http://www.epsjv.fiocruz.br/sites/default/files/capitulo_1_vol2.pdf>.
Acesso em 28.
McEVOY,
Joseph Patrick e ZARATE, Oscar. Entendendo teoria quântica: um guia
ilustrado. Leya, São Paulo, 2012.
MEGLHIORATTI,
Fernanda Aparecida, CALDEIRA,
Maria de Andrade, BORTOLOZZI,
Jehud. O
conceito de interação na organização dos seres vivos. In
Filosofia
e História da Biologia , v. 1, p. 91-105, 2006. Disponível em <http://www.abfhib.org/FHB/FHB-01/FHB-v01-05-Fernanda-Meglhioratti_et-al.pdf>. Acesso em 30 Dez. 2016.
SANTAELLA,
Lúcia. Semiótica aplicada. Cengage Learning, São Paulo, 2002.
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