O lado positivo da eleição presidencial


Como jurista, algumas vezes me deparei com histórias da violência contra a fé de alguém que acreditou, que me pareciam absurdas de se acreditar pelo extremo da ingenuidade, como por exemplo, a de alguém que acredita estar comprando o bilhete premiado da loteria, pagando só 1% do valor do prêmio, e dá todo o seu dinheiro para o vendedor do bilhete falso.
História como essa, de ingenuidade extrema, também é percebida no exercício da cidadania da eleição do representante presidencial, em que o eleitor se deixa levar por promessas inviáveis de se realizarem individualmente, como por exemplo: a de se acabar com a corrupção, de resolver os problemas de criminalidade ou de saúde, de garantir moradia e renda sem se trabalhar.
Não que a esperança não possa ser um fator motivador do voto, mas ela não deve se fundar na ilusão de que nas mãos de um só homem está a solução dos problemas da nação toda, apertando um botão, ou, assinando um decreto, ou, ainda, ao falar mais grosso.
Esse comportamento de transferir a responsabilidade social para o individual, parece ter origem na cultura infantil de deixar que a mãe tome todas as iniciativas, ou seja, que ela cuide de tudo, e assuma as atitudes que são necessárias para o bem-estar do filho, que ao longo de sua vida, lavou a sua roupa, preparou a sua comida, limpou o seu quarto, que, depois, ao se casar, elegeu a esposa para o lugar da mãe, como sua primeira-ministra, que deverá cuidar de tudo em casa, as vezes, até mesmo, fazendo o seu prato na mesa, enquanto ele reserva para si somente a tarefa de manter o lar, pois, como rei, só representa os compromissos externos.
Desse modo, parece que o resultado das eleições de 7 de outubro seguiu essa linha, selecionando para o segundo turno, dois candidatos que prometem a mesma coisa, solucionar por conta deles, os problemas que são de cada eleitor.
O ponto desafiador disso é que não são propostas comuns entre os dois candidatos, mas, antagônicas, pois, enquanto de um lado se tem um candidato com a linha de mão-dura, comparado até mesmo com o presidente americano Donald Trump, o que aqui, não parece
Foto REUTERS/Paulo Whitaker/Nacho Doce Fonte G1
ser uma equivalência, mas, uma imitação, pois, Trump segue sua linha dura sustentado pela sua influência financenira e não política, ou seja, ele pode até se fazer de louco desde que continue pagando, o que não é o caso desse candidato, e, do outro lado, há um candidato que traz o discurso do social, com palavras mansas, bem articuladas, contudo, o modelo de gestão ao qual se vincula, se assemelha o estilo iraniano, em que se elege o representante, no entanto, é a casta quem determina as ações governamentais, ou seja, acima da vontade do eleitor, está a vontade do guia supremo.
Sobre uma linha tênue entre o êxito e o desastre, está o destino da nação, em que o eleitor não exerce a cidadania apenas ao votar, mas, também, é chamado para a maturidade democrática de assumir o seu papel como ser integrante de um grupo social, sem perder sua fé, contudo educando a sua ingenuidade e superando a sua infantilidade eleitoral.
Assim, seja quem for o candidato eleito, o eleitor precisa estar consciente de que as promessas serão esquecidas juntamente com a campanha eleitoral, e os problemas não se resolverão como se o voto fosse uma cheque em branco a ser preenchido futuramente pelo candidato eleito, enquanto o eleitor permanece “deitado em berço esplêndido”, vendo as coisas acontecerem.
Essa maturidade democrática se revelará pela necessidade dele criar uma comunidade forte em sua própria casa, alicerçada sobre valores que promovam o bem dele e de seus vizinhos, se expandindo para o seu bairro, para a sua Cidade, para o seu Estado e para o seu País, pois, conforme já dizia Aristóteles, e já faz bastante tempo que ele dizia isso, a solução não vem do Estado para a tua casa, mas sai da tua casa para o Estado.
E as substâncias que formam esses valores, não estão nas verbas e programas governamentais de segurança e saúde e benefícios sociais, mas na consciência social dos propósitos da Nação, vivenciados e aprendidos com educação e formação do caráter cidadão de cada um, pois, onde há um homem de valor, há segurança, saúde e prosperidade.
E ser um homem de valor não pode ser uma exceção, mas, a base social, para que quando eleito, reconheça os valores que norteam o bem comum, e não o bem próprio ou de seus familiares, amigos e castas.
A ponto positivo desse embate eleitoral talvez possa ser respondido com a seguinte pergunta e advertência materna… “Quando é que você vai crescer heim?” .
Acredite que você é parte do Estado e carregue consigo o propósito de construí-lo, ao invés de se iludir que "deitado em berço esplêndido" alguém o construirá para você. Faça por você, pensando que está contruindo também, por aqueles que estão ao teu lado, e exija o mesmo daqueles que te representarão. E, diferente de um Presidente te fazendo feliz, pense que é focê que faz a família feliz, o  bairro feliz,  a cidade feliz, a nação feliz.

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